A tecnologia deveria ampliar a liberdade do indivíduo, não transformar sua vida privada num produto.
Em algum momento, começamos a confundir conveniência com liberdade.
Passamos a aceitar que ouvir música exige uma conta, que nossas preferências precisam ser analisadas, que nossos hábitos devem alimentar algoritmos e que o acesso àquilo que amamos pode desaparecer quando uma assinatura termina ou um contrato comercial muda.
Tudo isso foi apresentado como progresso.
E parte dele realmente é.
O streaming tornou a música mais acessível. A internet aproximou artistas e ouvintes. A tecnologia nos deu possibilidades que antes pareciam impossíveis.
Não queremos negar essas conquistas.
Queremos questionar o preço que passamos a pagar por elas.
Sua privacidade não é uma moeda de troca.
O que você ouve, quando ouve, quantas vezes repete uma música ou qual artista acompanha nos seus momentos mais íntimos não deveria ser informação comercial disponível por padrão.
Não precisamos conhecer seus hábitos para oferecer uma boa experiência musical.
Não precisamos construir um perfil sobre você.
Não precisamos observar seu comportamento, antecipar seus desejos ou transformar cada interação em mais um dado a ser explorado.
Um aplicativo pode ser inteligente sem ser invasivo.
Pode conhecer suas preferências sem transmiti-las ao desenvolvedor.
Pode funcionar para você sem precisar saber quem você é.
Sua vida privada não é parte do nosso modelo de negócio.
A internet deve ser uma possibilidade, não uma obrigação.
Acreditamos numa tecnologia conectada quando a conexão faz sentido.
Buscar uma letra, encontrar uma capa, descobrir uma atualização ou explorar criações da comunidade são possibilidades valiosas.
Mas ouvir uma música que já está no seu dispositivo não deveria depender de um servidor distante.
Sua biblioteca não deveria desaparecer porque uma empresa mudou de estratégia.
Sua experiência não deveria ser interrompida porque alguém decidiu encerrar um serviço.
O progresso não está em tornar tudo dependente da internet.
Está em permitir que cada pessoa escolha quando precisa dela.
Offline não significa ultrapassado. Independência não significa isolamento.
Comprar não deveria significar alugar para sempre.
Acreditamos que desenvolver software exige trabalho, tempo, conhecimento e investimento.
Esse trabalho merece ser remunerado.
Mas acreditamos também que uma compra deve ter significado.
Quando você adquire uma versão do nosso software, ela é sua para continuar utilizando nos sistemas com os quais é compatível. Uma nova versão não apaga seu direito de usar a anterior.
Grandes evoluções podem ter um preço. Quem já apoiou o projeto deve ser reconhecido por isso.
Não precisamos cobrar indefinidamente pelo mesmo produto para continuar existindo.
Não precisamos transformar cada funcionalidade numa mensalidade.
Queremos que você permaneça porque gosta do que construímos, não porque tornou-se impossível sair.
Sua biblioteca. Suas escolhas.
Suas músicas continuam sendo seus arquivos.
Suas playlists e seus favoritos devem poder acompanhar você.
Você decide como organiza sua coleção, quais artistas escuta e o que merece ser preservado.
Nosso software é uma ferramenta proprietária, desenvolvida com trabalho que também merece proteção. Mas essa propriedade não nos dá o direito de tomar para nós aquilo que pertence à sua biblioteca.
Não pretendemos controlar o que você escuta.
Não pretendemos julgar suas preferências.
E não pretendemos transformar sua coleção pessoal numa oportunidade de vigilância.
O player existe para reproduzir música.
Não para fiscalizar sua vida.
Suas memórias musicais pertencem à sua intimidade.
A música acompanha momentos que nem sempre compartilhamos com outras pessoas.
Uma canção pode representar uma viagem, uma perda, um relacionamento, uma fase difícil ou simplesmente uma tarde qualquer.
Essas experiências são pessoais.
Por isso, nossas estatísticas musicais são processadas localmente. Seu histórico permanece no seu dispositivo, sob seu controle, e você pode consultá-lo ou apagar registros.
Com o Waves, você pode transformar parte dessa história numa retrospectiva.
Uma semana. Um mês. Um ano. Um período da sua vida.
Você escolhe o que mostrar, como apresentar e com quem compartilhar.
Não precisamos receber seu histórico para criar algo bonito a partir dele.
O que você ouve é assunto seu. O que você compartilha é escolha sua.
Uma comunidade deve criar possibilidades, não novas prisões.
Acreditamos no valor da criatividade coletiva.
Temas, modelos e experiências desenvolvidos pela comunidade podem transformar um aplicativo em algo muito maior do que seus criadores originais imaginaram.
Queremos que as pessoas possam criar, compartilhar e, quando desejarem, receber pelo próprio trabalho.
Uma loja pode ajudar a descobrir essas criações e financiar a infraestrutura que as disponibiliza.
Mas ela não deve ser o único caminho.
A personalização não precisa depender permanentemente de uma conexão, e aquilo que foi legitimamente adquirido deve continuar utilizável dentro de suas condições de licença.
A comunidade deve ampliar o que é possível.
Não restringir o que já era seu.
Não precisamos de inimigos para defender uma ideia.
Não somos contra artistas que desejam receber pelo seu trabalho.
Não somos contra empresas que desenvolvem grandes serviços.
Não somos contra o streaming, as assinaturas ou os avanços tecnológicos.
Somos contra práticas que transformam a conveniência em dependência, a privacidade em mercadoria e a liberdade de escolha numa ilusão.
E se um dia essas práticas desaparecerem?
Se a indústria passar a oferecer experiências mais justas, respeitar a privacidade e devolver autonomia aos seus usuários?
Então parte da nossa missão terá sido cumprida.
Não precisamos dominar um mercado para defender uma ideia.
Não precisamos ser a única alternativa.
Preferimos um mundo em que nossa filosofia se torne comum a um mercado em que nossa existência seja necessária.
A tecnologia deve voltar a servir às pessoas.
Não prometemos construir o maior player do mundo.
Não prometemos substituir todos os serviços existentes.
Prometemos perseguir uma ideia simples: uma experiência musical moderna, pessoal, duradoura e respeitosa.
Uma experiência que não exija a entrega da sua intimidade.
Que não confunda inovação com dependência.
Que reconheça o trabalho dos criadores sem transformar o usuário numa fonte permanente de receita.
Que permita aproveitar o melhor da tecnologia sem abrir mão da própria autonomia.
Porque, no fim, não estamos tentando reinventar a música.
Estamos tentando recuperar algo que nunca deveria ter sido perdido.
A liberdade de simplesmente ouvi-la.
A tecnologia deveria ampliar a liberdade do indivíduo, não transformar sua vida privada num produto.
Essa é a nossa posição. Esse é o nosso compromisso.